Engenharia de Custos 2026: Como precificar produtos e serviços no novo cenário tributário
O seu preço de 2025 pode estar matando o seu lucro em 2026. Aprenda a calcular sua margem real com o novo IBS/CBS e descubra como a não-cumulatividade muda tudo na sua precificação.
1/9/20263 min read


Muitos empresários acreditam que precificar é uma tarefa simples: basta somar o custo do produto, os gastos fixos, a margem de lucro desejada e adicionar o imposto do Simples Nacional. Se você ainda faz isso em 2026, você está perdendo dinheiro.
A Reforma Tributária trouxe um conceito que antes era restrito a grandes empresas e que agora dita o jogo para todos: a não-cumulatividade plena.
Isso significa que o imposto que você paga na compra de um insumo ou mercadoria gera um "crédito" que deve ser subtraído do seu custo real. Se você não considerar esse crédito na hora de montar seu preço, sua mercadoria ficará mais cara que a do concorrente ou sua margem será devorada silenciosamente.
1. O Fim do Markup Simplificado
O "Markup" (aquele índice que você multiplica pelo custo de compra) mudou. Em 2026, com o sistema híbrido de IBS e CBS, o valor que sai do seu caixa para o fornecedor não é o seu custo real.
O custo real agora é o valor da nota menos o crédito recuperável.
Se você compra uma mercadoria por R$ 100,00 e ela vem com R$ 10,00 de créditos tributários, o seu custo para fins de precificação é R$ 90,00. Se você aplicar sua margem sobre os R$ 100,00 originais, seu preço final estará inflado e fora do mercado.
2. A Armadilha dos Serviços na Reforma
Se você é prestador de serviços, o desafio é ainda maior. Diferente do comércio, que recupera muito crédito sobre mercadorias, o setor de serviços tem menos insumos físicos.
Em 2026, a alíquota nominal dos serviços pode parecer maior sob o novo sistema, mas a estratégia de dedução de créditos de tecnologia e infraestrutura pode salvar sua margem.
Se você não recalcular o seu "valor-hora" ou o seu "ticket por projeto" considerando as novas retenções automáticas (o Split Payment), você terá uma crise de fluxo de caixa logo no primeiro trimestre.
Nota: Valores ilustrativos. O cálculo exato depende do seu enquadramento no Simples Nacional.
4. O Impacto do Split Payment no seu Preço
O Split Payment é a maior mudança operacional da década. Agora, quando seu cliente paga R$ 1.000,00 por um produto, uma parte desse valor é desviada automaticamente para o governo antes mesmo de chegar à sua conta.
Isso significa que o seu "Capital de Giro" precisa ser muito mais robusto. Se você não precificar considerando esse "desconto automático" na entrada do dinheiro, você terá dificuldades para pagar seus fornecedores em dia, mesmo vendendo muito.
A precificação em 2026 não é apenas sobre lucro, é sobre sobrevivência financeira imediata.
5. Como Revisar seus Preços Agora
Para garantir que você não esteja "trocando dinheiro", siga este checklist de urgência:
Audite suas Notas de Compra: Identifique quanto de crédito de IBS e CBS seus fornecedores estão repassando para você.
Separe Custos Fixos de Variáveis: No novo sistema, alguns custos fixos (como aluguel de galpões e energia) também podem gerar créditos.
Calcule a Margem de Contribuição: Saiba exatamente quanto cada produto deixa no seu caixa após pagar os impostos e o custo de reposição.
Monitore a Concorrência: Em 2026, quem tem uma contabilidade estratégica consegue baixar o preço sem perder lucro. Se você não fizer o mesmo, ficará para trás.
6. O Papel da Assessoria Gerencial Estratégica
Na nossa assessoria, nós não apenas enviamos a guia de imposto. Nós entregamos relatórios de Rentabilidade Real.
Nós ajudamos você a olhar para o seu faturamento e separar o que é imposto, o que é custo e o que é, de fato, o seu lucro. Em 2026, o contador deve ser o seu principal consultor de custos.
Se você não sabe qual é a margem líquida dos seus três produtos mais vendidos hoje, sua empresa está correndo um risco desnecessário.




